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| quinta, 05 dezembro 2019 |

Preciso de inteligência artificial no meu negócio?

Sem dúvida. É um processo de evolução que está em marcha, e que será cada vez mais decisivo na adaptação das empresas ao dinamismo do mercado e dos seus intervenientes.

Nos dias que correm, mesmo com toda a investigação e estudo sobre o tema, ao falarmos em Inteligência Artificial (IA), somos automaticamente transportados para o imaginário dos filmes com cyborgs e computadores sentimentalões carregados de vontade própria.

A verdade é que a IA atual, é ainda a ponta do icebergue do que se pensa poder vir a ser a sua evolução, estando ainda a várias décadas, se não séculos, dos computadores capazes de interpretar sentimentos e emoções em cenário real, ou serem auto-conscientes. Contudo, do famoso computador Deep Blue, que venceu o mestre Kasparov, às atuais máquinas de memória limitada cuja capacidade de interpretar dados as torna num poderoso aliado, aos sistemas de apoio à decisão, um longo caminho já foi percorrido.

Uma das áreas onde podemos aplicar a IA é, sem sombra de dúvida, no tratamento da informação gerada pelos inúmeros sistemas internos e externos às empresas, onde se incluem o cada vez maior número de dispositivos eletrónicos geradores de dados (RFID, sensores, serviços online, redes sociais, entre muitos outros), que nos podem fornecer argumentos decisivos para a evolução do negócio. Seja detetando e reduzindo ineficiências, automatizando processos e/ou a interação com utilizadores, encontrando novas linhas de negócio ou padrões de comportamento, prevendo evoluções, entre muitos outros.


O Business Intelligence (BI), sendo o conjunto de metodologias, ferramentas e processos dedicados à recolha, tratamento e disponibilização de informação de apoio à decisão, tem na IA o aliado perfeito para estender as suas capacidades e potenciar o seu efeito. Prova disso é a cada vez mais frequente presença de jargões como Process Automation, Cognitiv Insights ou Cognitiv Engagement nas características de soluções ou ferramentas de BI.


Empresas que têm a sua gestão suportada em dados deixaram de ser ficção científica e são cada vez mais uma realidade, também em Portugal. Algoritmos de Machine Learning, que a partir de conjuntos de dados cada vez maiores e mais diversos, nos ajudam a identificar tendências e novas visões sobre o negócio, permitem-nos tomar decisões e tornar-nos mais competitivos – em tempo real.

Como exemplo, podemos pensar num gestor de fábrica que, através da sua aplicação de BI, recebe um alerta no telemóvel indicando que a produção de uma linha de montagem abrandou face ao ritmo histórico habitual. O mesmo gestor cruzando essa informação com outros dados recolhidos e processados na mesma solução, pode verificar se uma inspeção ao equipamento é necessária, antecipando ações, diminuindo o período de menor produção, evitando assim custos maiores.

Outro exemplo de utilização de IA, com comprovado aumento no volume de vendas, é a utilização de sugestão inteligente quando um cliente inicia a digitação de um produto num qualquer canal de vendas online. O facto de o algoritmo sugerir, em tempo real, produtos com base nos gostos pessoais do utilizador, recolhidos de anteriores vendas, mas também das redes sociais, ou outras fontes, aumenta não só a probabilidade de venda, como também a taxa de retorno ao site.

Porém, num país onde 95% das empresas têm menos de dez trabalhadores, não será possível ter uma equipa de especialistas em BI ou IA em cada uma delas, pelo que a ajuda de consultores externos e ferramentas especializadas, serão uma forma de mais rapidamente perceber como e onde essa vantagem pode ser utilizada em proveito próprio.


Artigo de opinião de Ricardo Silva, Business Intelligence Unit Manager da Arquiconsult, publicado dia 03 de Dezembro de 2019 no Jornal Económico - ver artigo


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